quarta-feira, novembro 28, 2012

JLP #1


Explicação da Eternidade

devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.



JLP, in "A Casa, a Escuridão"

terça-feira, novembro 20, 2012

Miss you B.

"Eu e tu não vamos há muito tempo, somos quase uns estranhos um para o outro, mas há simplesmente coisas na vida que são inegáveis. Há coisas que o nosso coração simplesmente não consegue explicar, onde a razão não encontra o coração, onde a física e a metafísica não se encontram, e ficam separadas pela linguagem verbal.
Não nos conhecemos há muito tempo, já nos tínhamos visto em Verões passados, e em vistas ocasionais em que não prestamos muita atenção um ao outro. Nunca tínhamos falado um com o outro, eu com o sotaque redondo do Porto, tu com o Português do Pacífico. Não estivemos muito tempo juntos, foram horas só, e nem tantas quantas as necessárias para quantificar um sentimento. Nenhumas partes do nosso corpo se tocaram, sem ser as nossas mãos, quando te agarraste a mim para saltar dum muro e te ajudei a descer as escadas naquela tortuosa descida, senti-te durante uns segundos mas fiz questão de te omitir isso porque não queria que soubesses o quão rídiculo sou, por me ter sentido tão feliz nesse momento.
Nada do que disse antes me impede de olhar para o futuro, ou melhor, de sonhar com um futuro, e de pensar no que poderia ter resultado, se tu não estivesses no meio do Pacífico, e eu aqui, numa ponta de Atlântico, onde apesar de separados por um dia, e milhões de metros cúbicos de água, o meu coração tem a capacidade de sobrevivência para me fazer pensar em ti, e no que podemos ou poderíamos ser.
Foram "só" alguns dias de um Verão que senão fosse por ti teria sido absolutamente banal, mas que devido à tua graça e à beleza do teu ser se tornou em algo completamente diferente. Partilhar os teus últimos dias em Portugal neste ano foi um privilégio que nunca irei esquecer, foram mais que simples bons momentos, foi a altura em que saí do marasmo após meses de auto-tortura e de dores de coração. Foste mais que uma companhia, foste um passe para uma alegria, para ver que posso ser feliz, e que consigo fazer alguém sentir-se feliz.
Fizeste do meu Verão um Verão a cores, em vez de um cinzento de Inverno.
Miss you B."

quinta-feira, novembro 01, 2012

Sombra

"Não tenho ideia do último sítio onde te vi, não me lembro simplesmente da última vez em que me encontrei nos teus olhos redondos com cor e forma de avelãs, não sei qual foi o momento em que perdi o teu sorriso definitivamente, nem sei bem qual foi o último momento em que a tua mão segurou a minha mão, sim, porque tu apesar de tudo, é que nos levavas, me levavas a mim com a candura das tuas palavras e com a doçura dos teus gestos a perseguir os meus sonhos de vida, tu é que me levaste e ensinaste a tentar ser feliz, que me fizeste perceber que a felicidade tem de ser trabalhada, não nos é dada, e que esse caminho para a felicidade superior só fica bonito feito a dois.
Hoje vejo a tua sombra, sempre atrás de mim, sob a sua forma cinzenta, com uma cintura delgada e um corpo escultural de matar, e atinjo que a tua sombra provavelmente nunca me vai largar. Vai estar sempre na minha retaguarda, ansiosa por me fazer sentir os passos maus e as ideias erradas, vai-me fazer quem gosta realmente de mim, e aquelas para quem na verdade sou indiferente, vai fazer-me ver a  verdade nos olhos dos outros, ver a pureza num sorriso enigmático, ver a beleza numa cascata de palavras e descobrir o que é real. Ensinaste-me muito, mas a tua sombra encina-me mais.
Hoje perdi grande parte da auto-confiança que a tua mão me dava, que me deixava a tentar atingir os limites sem nunca o conseguir, sem saber que sem ti o meu limite é muito mais inferior. Não sei vislumbrar quem gosta de mim realmente, se há alguém capaz de se deixar apaixonar por mim, pelo meu jeito desengonçado, pelas minhas mão enormes e pelo meu corpo marcado e rude. As pessoas que queiram chegar, tem de me puxar do buraco sem fundo para onde foi a minha esperança de ser amado, onde me enfiei após ser mais do que uma vez magoado após mais que uma vez, e de onde quero sair, mas o sítio onde estou, não me permite sair sozinho, preciso de um braço forte, e de uma mão delicada, que me puxe e que me ame todos os dias."

quinta-feira, outubro 18, 2012

Pequeno Conto.

"Sou duma dessas terras que tem nos eventos passados, na glória retrógrada e nas tradições de décadas, onde o ponto de honra é que todos os homens vivem sob a égide do cavalheirismo e as mulheres são e serão sempre senhoras, lady like. Onde o respeito pelo próximo, a humildade e a honestidade fazem parte do mesmo conjunto, onde cada pessoa é tão pura como aquilo que diz, onde tudo o que ouvimos é puro como a brisa que me acaricia as faces, onde sentados e olhando o horizonte podemos aprender quão ruidoso é o silêncio, e sabemos quão bom é poder povoar o silêncio com imagens mentais e ideias genuínas a circular.
Vivo numa casa de pedra, pedra escura nunca lavada, amolecida pelo vento e marcada pela vida vivida no seu interior. Na realidade, a minha casa é um rancho, com centenas de hectares, onde hoje em dia posso desfrutar do meu silêncio, e valorizar cada segundo que passo sozinho com os meus pensamentos a criar novos mundos. Os meus pais, por infortúnio dos tempos, desapareceram quando eu estava perto de atingir a maioridade, sucumbindo a uma fatalidade, a uma doença que levou algumas pessoas de ranchos vizinhos e desta terra. Os meus pais foram sempre o exemplo para mim, foram sempre felizes e sempre deram tudo um pelo outro, sujeitos a uma vida de trabalho duro para me sustentarem sem nunca se queixarem. As melhores memórias que tenho deles são de quão perfeitos eram os seus sorrisos encaixados um no outro pela ternura dos seus olhares, eles eram só um, passavam horas abraçados numa espiral de amor contagiante, onde o mundo éramos nós três. 
A minha dedicação à procura do amor de uma vida, o verdadeiro amor, baseia-se na imagem que tenho deles, no ideal de dois corações simétricos a dançar ao som da mesma canção. E é isso que quero para mim, pode ser pedir de mais, mas nestas coisas do amor nunca se é demasiado exigente para encontrar a perfeição. Busco a esperança de encontrar a senhora que em tempos fez do céu o meu chão e das nuvens as minhas companheiras de viagem. Espero todos os dias durante o pôr-do-sol a sua chegada, ainda hoje, abraçado ao cão, companheiro fiel e ouvido imparcial de lamentos e de declarações de amor. 
Não mais esqueci aquela menina, eu teria 14 anos e ela teria 12, na data em que ela saiu da nossa terra, acompanhada pelos pais com um saco de roupa na mão esquerda, e com o meu coração e a minha felicidade na mão direita. Não mais a esqueci até hoje, lembro-me exactamente de tudo o que fazíamos, de todos os passos que dávamos, de todos os sorrisos e de todos os olhares, límpidos na minha memória. Fomos sempre os miúdos mais sorridentes do planeta, e sei que inconscientemente, toda a gente que nos via nos invejava a felicidade e a compreensão que encontramos um no outro. Lembro-me perfeitamente de ir para o lago brincar e assistir ao pôr-do-sol na soleira da minha casa todos os dias. Lembro-me de brincarmos com o George, meu cão, e de sermos felizes sempre, independentemente do que acontecesse. No último dia antes de ela partir para aquela cidade longínqua de nome impronunciável, num outro continente cujo nome a minha educação escassa nunca conseguirá decifrar, disse-me que queria que eu esperasse por ela, independentemente do tempo que ela demorasse a voltar aqui para perto de mim, onde pudesse sentir o tique-taque do seu coração.
Poucos dias antes de partir, vimos um pavilhão junto ao lago dentro,  que parecia um coreto pequenino, feito especialmente para só lá caberem duas pessoas, um casal de namorados. Era de madeira pintada de  branco, trabalhado à mão, repleto de pormenores, talvez excessivamente ornamentado, com motivos que iam desde flores baloiçadas pelo vento, pessoas abraçadas como verdadeiros casais de namorados e de onde sobressaía na sua entrada a frase: "O Amor quando é verdadeiro, é eterno.". Ela disse-me que um dia queria casar com alguém que lhe fizesse uma declaração de amor do tamanho daquela, algo tão cavalheiresco e romântico, uma obra de arte, como símbolo do derradeiro e puro acto de amor.
À custa disso, aprendi a arte do meu pai, decidi ser um carpinteiro. Tudo para um dia construir um pavilhão para ti, fiz disto a minha arte, o meu modo de vida, para um dia fazer de ti a minha vida eternamente. E nada me agradou mais do que pegar algo em bruto, no seu estado selvagem e primitivo, e fazer com que desse "bruto" surja lentamente algo que é esculpido com minúcia e detalhe, talha a talha, lasca a lasca, centímetro a centímetro, e que pode ser algo que algo que me pode dar luz e manter a minha chama interior para o resto da minha vida, para sempre. 
Quero que voltes, hoje mais do que nunca. A minha solidão começa a fazer de mim um infeliz com medo que não voltes. Quero que venhas para imaginar finais de tarde, a preencher o meu corpo com o teu corpo, a preencher a minha vida com o teu sorriso, parando relógios no momento em que me beijes, e no momento em que dizes que sou o amor na tua vida. Quero-te dizer que és a personificação do amor, sabendo que amor comparado ao que sinto por ti não é nada, não é mais que um fragmento da vida, como um pedaço de terra do meu rancho.
Volta, por mim, ficarei onde sei que te posso encontrar todos os dias, na soleira da minha casa, onde sem a tua presença física, te continuo a sentir, na brisa que me beija a face, e onde encontro o teu cabelo ruivo no laranja do pôr-do-sol.
Sempre tua, à espera de vida."

segunda-feira, outubro 15, 2012

Cego #3

"Porquê?
Porque me mentes? 
Porque é que o que tu me dizes, o que recebo vindo do teu corpo, não corresponde à realidade?
Porque essa resistência em estares comigo, em partilhar o mesmo espaço que eu?
Porquê essa aparente falta de vontade de resolver as coisas? Se queres realmente resolver alguma coisa vens ter comigo, vens apoiar-te no meu amor por ti, vens descobrir o mundo comigo.
Detesto ver-te a mudares para comigo, detesto ver-te a dares mais confiança a outros homens, a ver-te a elogia-los, a seres louvada e ficares toda contente, sem que ele saibam sequer que o teu coração está ocupado por mim, sem eles sequer saberem que estás reservada, que és realmente minha. 
Detesto a tua confiança a garotos, a necessidade de atenção alheia e a rapidez com que me matas com uma frase."
02/04/2012 

Fico feliz por não fazeres tão parte da minha vida agora, e que estejas longe do meu coração e longe dos meus olhos.

segunda-feira, outubro 08, 2012

Cinema e o amor.


O cinema hoje em dia é um dos responsáveis por o amor ser visto de forma diferente, duma forma que se calhar há algumas décadas não era visível, mas talvez o cinema, desde a Hollywood até ao Japão, nos esteja a vender uma visão do amor um pouco fraudulenta, uma visão em que na maioria das vezes, o amor é perfeito e sempre lindo. Nos filmes, se repararem o amor acontece duma forma rápida e arrebatadora, como se fosse uma explosão de desejo, loucura e compreensão tudo mesclado, os intérpretes destes mesmos filmes parecem tirados de contos de fadas da Disney, daqueles muito fofinhos onde o princípe encantado encontra a mulher perfeita que primeiro parece uma mulher vulgar e  pobre, e depois toda produzida parece uma verdadeira princesa.
Fico a pensar que isto nunca acontecerá comigo, e penso "E agora?", o que é da minha vida se não posso ter uma história de amor super perfeita? Será que posso processar a Disney, ou a Paramount, ou a MGM, ou outra produtora qualquer por me ter vendido uma fantasia de amor irreal e possível só nas telas?  Olhem para mim: posso ser muita coisa, mas não tenho aspecto de princípe saído duma tela de cinema aos olhos das mulheres, quanto mais serei o amigo do princípe que leva o carro quando ele se quer embriagar. Na minha história é mais o sapo que a única hipótese que tem é beijar uma parede, ou qualquer um tipo de objecto inanimado. 
Nunca tive uma história de amor que acabasse bem, já tive algumas histórias de amor, mas elas parecem-se muito com o final do filme do "Casablanca", a mulher vai embora e fica com outro homem para sempre, enquanto eu fico num país só meu desterrado a pensar nela, e a tentar convencer-me que assim essa mulher irá ser feliz. Nunca me acontece um final como aqueles dos filmes de sábado ou domingo à tarde, em que após mil aventuras e mil problemas ficam felizes para todo o sempre.

Apesar de tudo o que disse, e deste meio ressabiamento, nunca devemos de deixar de desejar para nós uma história de amor perfeita, ou pelo menos, acordar todos os dias com a capacidade de saber que temos em nós o necessário para a perfeição, para fazer aquela história de amor, que só a nós nos faz arrepiar e deixar com a lágrima ao canto do olho. 
Sobretudo, devemos sonhar, e nunca desistir.

No more.


Há coisas que me incomodam, vocês sabem do que vou falar, porque quase toda a gente já teve alguém assim na sua vida. 
É aquela pessoa do passado que parece que tem memória curta, alguém que não se lembra de metade da porcaria que fez, e que nós apesar de termos sido magoados como verdadeiros prisioneiros de guerra (psicologicamente falando), nunca deixamos de as tratar bem e em que as tratamos sempre como um servo quase. 
Tenho uma pessoa no meu passado assim, alguém com quem me envolvi, não apenas romanticamente, mas também fisicamente, mas não muito, if you know what i mean. Não fui sempre o melhor namorado, admito isso, sou um bocado possessivo e ciumento, mas controlado, apesar de tudo levou sempre a grandes discussões.  Mas sempre dei tudo pela relação, e quando digo tudo, digo mesmo tudo. Fiz todos os esforços possíveis e imaginários para a conquistar todos os dias, e para ter de volta mesmo depois daquilo ter acabado da maneira que acabou.
O que é verdadeiramente interessante é que depois de ter sido epicamente magoado, e quando digo epicamente, é epicamente ao nível das tragédias gregas, continuo a ser boa pessoa e a ouvir a outra pessoa em todos os seus dramas. Chega a certa altura em que temos de dar um passo em frente e acabar com a humilhação. Já rastejei, já fui ignorado quando tentei conversar, já vi saídas e encontros cancelados sem razão real aparente, já ouvi, já ajudei, já dei a mão, e no meio disto o que tirei? Uma pessoa que nem sequer se lembra do meu aniversário, uma pessoa que continua sem me dar valor nenhum, uma pessoa que basicamente está-se nas tintas para o que eu faço.
É triste, mas acabou.