Sexta-feira, Maio 18, 2012

Há questões que nunca serão ditas com o tempo. Há questões que nos fazem pensar qual o sentido da vida, para onde vamos, o que somos, e o que fizemos. Pensamos se a vida não é mais do que um meio da nossa auto-realização espiritual, a vida plena não será mais do que um complemtento qo nosso ser, e não a parte mais importante daquilo que somos.
A nossa vida não se preenche por coleccionar carros, por ter uma casa ou cinco casa de férias, a nossa vida não é aquilo que ganhamos financeiramente, nem é a fama de papel e facilmente reciclável que nos torna um ser único e inesquecível. A nossa vida é muito mais do que isso, a nossa vida é a nossa personalidade conjugado com o facto de chegarmos ou não ao coração das pessoas, é sentir que a nossa vida teve um propósito, e saber que as pessoas que ficaram marcadas no nosso coração, tenham ficado conosco marcadas no seu coração. Não pretendo ser famoso, não quero ser exuberantemente rico, não quero passar a minha vida a ganhar prémios para me sentir superior aos outros.
Tudo o que desejo na minha vida é ser algo no coração das pessoas, não ser mais um apenas, mas ser uma pessoa que as marca, não por um sentido negativo, mas porque fiz a diferença, porque fui simpático, fui querido, e ajudei as pessoas em certos momentos.
Aos meus amigos, às pessoas novas da minha vida, e até aos simples conhecidos, quero que saibam que a minha vida não seria nada sem eles, e por isso serei sempre um amigo, um ombro e um companheiro anti-solidão para a vida deles.
Só quero que as pessoas ao meu redor se sintam felizes, nem que isso seja em prejuízo de mim mesmo. Quero chegar a casa, despir-me, deitar-me e apagar a luz e reflectir sobre como foi a minha vida, e aí sim, se vêm os verdadeiros homens, no escuro da noite vê-se realmente quem fez da vida mais do que uma passagem intermédia. Vê-se quem fez da vida um caminho único e iluminado para a auto-realização e felicidade pessoal.

Quinta-feira, Abril 26, 2012

Estória I

"Ele sentia a sua falta, precisava para viver feliz, ela era a razão do seu sorriso, a razão do tempo andar mais devagar ou mais depressa, viveu para ela enquanto estavam juntos, fazia tudo por ela, e pela sua felicidade. Há uns tempos acabaram por se separar, seguiram caminhos diferentes, talvez magoados um com o outro, talvez se tivessem separado por um desastre, talvez por um amor incomportável da parte dele, ou por algo abrupto ou imprevisível que nunca é previsto facilmente.
Passados muitos meses ele continuava sozinho, quase miserável, no marasmo da sua imperfeição, fora de qualquer círculo social, aliás com a sua monotonia não seria aceite em nenhum grupo, ele sim era finalmente o rei da melancolia, preso no seu castelo de solidão, afastando qualquer hipótese de se abrir com alguém. não queria mesmo pôr sequer a hipótese de ver alguém, só queria preservar a sua memória dela, como se fosse um quadro inesquecível, como a "Mona Lisa" de Da Vinci, "Guernica" de Picasso, ou melhor de todos "O Beijo" de Klimt. O seu objectivo era fazê-la eterna em si, e nunca mais entregar a sua caixa com o seu pedaço de veludo vermelho.
O que ele não sabia era que ela já o tinha substituído no coração.
Ele era um Bruckner, mais velho que ela, era dramático, louco, apaixonado e melancólico, era um homem com uma intensidade extrema, que encontrava na expressão dos seus sentimentos uma mais valia. A sua sensibilidade era como se fosse o seu bastião, era o topo do seu castelo, o sítio onde ele via tudo. Noutra altura qualquer da sua vida conseguiria ser um homem feliz, com um humor decente, conseguiria fazer toda a gente rir-se, mas desde aquele dia em que se separaram perdera a vontade de sorrir, a contade de amar, e a vontade de viver. Ele era um ser profundo, com intensidade emocional, demasiado intenso.
Ela por sua vez encontrou um Mozart, um tipo "leve", um humorista, quase surfista, um boa onda, um tipo vivo, que a fazia sorrir a todas as alturas, que lhe dava muito conforto, talvez não fosse tão apaixonado como Bruckner, mas com este novo era tudo mais fácil, mais simples, mais directo e descomplicado, ela não pensava tanto no futuro, da mesma idade e queriam acima de tudo divertirem-se.
O nosso Bruckner descobriu e ficou arrasado, a imagem que tinha dela iria ser estragada, decidiu exilar-se antes que tudo o que sentia fosse consumido pelas chamas de ciumes e do sentimento de possessão que tinha por ela. Figiu para longe, para o lado da neve, rodeado de árvores e gelo, sem vivalma por perto. Decidiu entregar.se ao destino, e só queria relembrar o tempo que passou ao lado dela, decidiu perpetuar o nome dela no exílio, num sítio isolado, e quis viver até ao fim dos seus dias com as memórias dos tempos passados com ela."

Domingo, Maio 29, 2011

Não sei de que cor acordei hoje, mas sinto-me cinzento da cor do tempo, negro como o alcatrão da estrada e sombrio da tez do quarto em que escrevo.
Enganei-me quando disse que a tua vida deixou de me afectar, é impossível isso acontecer, agora percebo, gostarei sempre de ti,, mesmo tendo alguém. Foste alguém que passou por mim, não digo a toda a velocidade, mas apenas à velocidade suficiente para ficar amarrado a ti, ao passado que nos envolvia aos dois, e a tudo o que és. incondicionalmente Podia dizer que tenho uma ligação muito forte a ti, mas estaria a mentir, uma ligação consiste em haver dois lados que se correspondem entre si, e sei que isso não acontece. Mas sinto um chamamento por ti, no sentido em que sei a diferença que fizeste na minha vida, o que me ensinaste a ser, o que me tentaste dar, o que quiseste que eu fosse, o que lutaste para eu mudar, o que sofreste enquanto eu tentava mudar, e quão partida ficaste após o acumular de situações de dor que te infligi.
Hoje a relação que temos não tem nada: não tem alegria, não tem tristeza; não tem dor, não tem prazer; não é amor, não é ódio; não é paixão, nem total desinteresse; não é calor, não é frio; não é sol, nem é neve; sei que definitivamente não sou tudo, mas efectivamente sou nada.
Sou um nada que partiu para um estação espacial no centro de nenhures, para um país no meio de algum lugar, que desapareceu com a força de algo, que sumiu como se fosse consumido pelo presente e pelo futuro. Sou um nada feito de tudo, mas que desaparece no horizonte, não faço linhas imaginárias no teu coração, ao invés soltaste-me da corda que me segurava e largaste-me nos confins daquilo que és. Sou um nada que acabou consumido pelo tempo, e pelo espaço, sendo que agora em ti me encontro a meio caminho entre o não existir e o não estar em lado algum coberto de sol. Sou um nada, e represento exactamente aquilo que o nada é, sou nada, não sou matéria, sou ar que voa em direcção à escuridão.
Hoje em ti sou aquilo que mereço ser, uma mancha.


Sábado, Maio 14, 2011

've been feeling different somedays.
Sempre que estou com os meus, sou diferente, sou eu, o brincalhão, o party animal, sempre de sorriso de orelha a orelha, sempre disposto a abraçar o mundo, a abraçar o desconhecido, e as desconhecidas, estou sempre disposto a mais uma volta voltando sempre ao mesmo. Sou o Pedro, que não escolhe amigos pela aparência, nem pela beleza, nem sequer pela sua inteligência, procura apenas ser fiel a mim mesmo, sou às vezes humilde, sou convencido naquela de tentar dar uma de brincalhão, mas sou de confiança, sou da terra, lá de cima do Norte, onde as pessoas são mais genuínas, e onde as verdades são ditas com um quilómetro de coração. Sou afável, tenho conversas, ajudo os meus amigos, ajudo-me a mim mesmo ajudando-os a eles. Mas entro em conflito.
Quando estou sozinho sou diferente, sou um pedaço negro de estrada, de rosto fechado, ao estilo polícia pré-Abril de 74, sou um ser que não tem confiança, sou um pobre plástico moribundo num rio à deriva, sou encontrado facilmente deprimido, e a pensar no que me faz mal, e no que me faz bem, e onde é que errei.
Ultimamente penso também em ti, quando estou sozinho. Tu que abandonaste o meu caminho, para seguir um caminho melhor para ti. Vi-te há pouquíssimo tempo, a primeira vez desde aquele sábado de despedida, em que me encontrei pela última vez no que eras para mim, ainda na altura em que o sol era dourado de areia. Nesse momento o tempo congelou, senti-me um robot a fazer um reset, a começar a voltar ao passado, o sangue gelou e não correu mais, o coração bombeava menos sangue, e senti literalmente o tempo a parar, o coração a subir através do peito, cada veio dele sentia-se a subir pela garganta até à boca de onde saiu de mim e caiu inanimado no chão, como pedaço de tecido velho a entrar na trituradora.
Pensei que era amor, que era paixão, que era ódio, ou ressentimento.
Não era nada disso, era medo, misturado com nódoas ardentes de passado, embebidas em líquido ardente que me destruía a memória. Ao longo dessas horas em que a música me destruiu a memória senti que o passado não era melhor que o presente, era apenas diferente. Porque consegues viver ao lado de alguém que não é melhor que eu, e eu consigo viver sozinho, rodeado dos meus e à espera de alguém que me faça viver uma vida nova. Sei que estás muito diferente do que eras comigo, mas receio que tenhas perdido o encanto que eu encontrei em ti, que tenhas descoberto outra pessoa no que és, mais madura, talvez menos sonhadora, mais terra a terra, menos apelativa para mim. Uma pessoa que se tornou igual a muitas outras, e que não vês hoje em ti o que eu vi em ti há muito tempo, e que te tenhas essencialmente tornado humana, não vulgar, mas normal.
No fim da história desceste dos céus e segues uma vida terrena. Longe de mim, mas suficientemente perto para eu saber que existes.

Terça-feira, Maio 10, 2011

Talvez o tempo tenha sido o conselheiro que me faltava, porque hoje vejo claramente todos os erros que cometi, e todos os problemas que criei. Consigo ver nos meus iguais aquilo que fui, o que fingi, as vezes em que pensei que estava tudo bem, as vezes que apaguei os erros com um sorriso com um sombreado negro, as vezes em que me senti um pedaço de terra que merecia ser empurrado para baixo, sei os erros que cometi, e hoje isso faz de mim um observador atento.
Não sei o que quero neste momento, não me sinto pronto para amar alguém, para me entregar o livro que sou completamente. Sinto que neste momento sou o homem só, que não tem recordações negras do passado, que usa o que fez de errado no passado para gravar na sua mente e aplicar na sua vida do presente, para o saber usar no futuro, e que quando chegue a hora de voltar a dizer a palavra sagrada, tem a certeza que o diz com todo o coração.
Quero um dia poder esquecer todos os meus medos, de me assumir alguém com outra pessoa, quero dizer abertamente o que sou, quero poder dizer que fui meloso, quero poder dizer que sou romântico, quero poder dizer que sou apaixonado. Quero enterrar os meus medos e poder explodir de alegria quando souber que o sinto é correspondido do outro lado. Quero poder apaixonar-me duma maneira estranha, mas ainda assim totalmente arrasadora. Quero acordar de noite a desejar uma mensagem da pessoa que gosto. Quero poder virar-me para o lado e poder agarrar alguém com a força de mil homens. Quero um amor que a distância não pode separar, que a vida não pode quebrar, suportável à distância apenas porque o segundo em que os nossos corpos se encontram ser o momento do extâse.
Quero perder-me em pensamentos.
Quero poder ser aquilo que nunca fui.
Quero ser o alguém de alguém.

Segunda-feira, Maio 09, 2011

Sempre me disseram que estamos sempre a aprender com a vida, com o passar dos tempos e com a experiência tornamo-nos em seres humanos com capacidade de avaliação e que tendem a cometer cada vez menos erros a cada dia que passa.
Esta capacidade de evoluirmos após a compreensão dos erros leva-nos ao que me parece ao cinismo, e eu acredito sinceramente que o mundo chegou ao ponto a que chegou porque as pessoas que tomam as decisões são cínicas, não gostam de acreditar numa espécie de risco, na bondade natural das coisas e no acreditar.
Escrevo porque hoje senti-me defraudado, desiludido com alguém de quem gosto, de alguém que faz parte da minha vida há já bastantes anos. Nunca pensamos que uma pessoa que seja nossa amiga há muito tempo, seja capaz de nos defraudar, quando nós pensamos que já conhecemos tudo naquele pessoa, as coisas boas e as coisas más. Quando somos surpreendidos por tempestades sob a forma de pensamentos e acções que aos nossos olhos parecem irreais, e que não passam duma ilusão.
Já fui cínico, já fui mesmo muito cínico. Não gostava de coisas novas, o que era diferente repulsava-me, o preconceito abundava em mim, mas fui mudando. Gosto de pensar que hoje sou alguém que acredita nas pessoas, na fé delas e na coragem em nos respeitar duma forma elegante.
Mas hoje deixei de acreditar em ti, no que me dizias, percebi que afinal o que te digo não são mais do que palavras vãs que ecoam num desfiladeiro com mil metros de profundidade, em que a sua inteligibilidade e a sua percepção é zero! Hoje é o dia em que te afasto do núcleo das pessoas intimas da minha vida, em que contava muito da minha vida a ti, e muito do que és, pensava que era por minha causa, mas hoje percebi que afinal és de outro mundo. Hoje deixaste de ser digna da minha amizade. passaste a ser digna do que tens, do marasmo em que te meteste, e do qual um dia irás ter de sair sem o meu braço. Se saíres, sairás pelo teu próprio pé, esmurrada pelos socos que ninguém quis levar por ti.
Quando alguém sai do nosso coração, outras pessoas aparecem para preencher o vazio.

Domingo, Maio 08, 2011

Faz hoje uma semana que te vi pela primeira, e talvez a única vez, para sempre.
Rapariga do comboio, naquele dia não sabia o que dizer, estava (estou) num período em que sou cobardolas, em que tenho falta de confiança e medo de arriscar em tudo, não só no amor, e naquele momento estava na fase em que se decidia se eu era um homem ou um rato. Passado uma semana cheguei à conclusão que sou um pouco dos dois, a minha parte de rato reflete-se na falta de coragem que tive em chegar à tua beira e dizer-te o porque de achar que eras diferente, e pedir-te para fazeres parte da minha para sempre. A minha parte de homem, enquanto ser que acredita e que tem alguma fé, espera que o destino me leve de encontro a ti, e me deixe ser feliz.
Sei o que ficou em mim de ti, o teu cabelo é especialmente bonito, reflecte-se no teu tom de pele maravilhoso, um moreno de alegria.
Fizeste-me feliz durante 3 horas e muito, sem sequer eu ter tido a necessidade de falar contigo sequer, porque pensei que estavas olhar mesmo para mim, duma forma fugidia, esperando que talvez eu saltasse do marasmo em que me encontro para tomar uma decisão que ia mudar as nossas vidas para sempre, ou talvez não.
Hoje é dia de viagem, e a única coisa que eu realmente desejo para esta viagem, é simplesmente ver-te. Que mudes o meu dia, que me faças feliz como uma criança, que me faças chorar pela beleza dos teus olhos, e que me deixes guardar o teu sorriso só para mim.
Não acredito em destino, acredito em mim, mas hoje o destino se existisse, dava uma mãozinha.