segunda-feira, outubro 08, 2012

Summer heat


Nunca soube o que são paixões de Verão, ou paixonetas, como lhe quiserem chamar, para mim isso nunca foi mais do que uma versão romantizada de uma one night stand com implicações psicológicas ao nível da persistência da memória dessa noite em nós.
Mas acho que acabei de mudar de opinião, pela primeira vez aconteceu-me algo do género, uma paixão de Verão (ou no mínimo nascida no Verão!).
Não passei muito tempo com ela, três simples dias fizeram a diferença, três dias de convívio, passeios pela cidade mais bonita à face do planeta, com gelados, chás e cafés pelo meio e eu fiquei totalmente embeiçado, não tenho outra palavra. Ao fim de três dias estava capaz de lhe entregar o meu mundo numa chave, sem ela pedir, a minha mente já voava longe ao 2º dia, já estava nas nuvens e a pensar no que seria de mim. O que me iria acontecer ao fim de alguns dias na presença dela.
És tão fora daqui, és tão alien nesta terra que é nossa, és tão bonita e o teu sotaque tão engraçado, que faz hoje uma semana que foste para muito longe de ti e ainda continuo a pensar em ti daqui de longe, muito de longe. Naquele último dia já te comecei a conhecer, a saber o que realmente és, e ao ver o teu sorriso, ficar encantado por ele não foi mais do que um processo natural, era natural que isso simplesmente acabasse por acontecer porque era tão simples e puro. Quando fomos embora ver-te pensativa foi engraçado, parecia que já sabia o que estava a acontecer, estavas triste por deixares o país e ires-te embora, e sinceramente, apetecia-me dar-te a mão e abraçar-te e dizer que acabaria por ficar tudo bem. Penso que tudo o que queria era dizer-te que era capaz de te seguir para todo o lado, e que estejas onde estiveres, estarei sempre lá para ti, mesmo que o tempo que estivemos juntos foi tão pouco. Terás sempre um lugar aqui para ti, no sofá a meu lado, aqui em Portugal, onde te poderás rir, e onde me encantarás com o teu bonito sotaque e onde serás sempre feliz. :)

Amor #2


Gosto de pensar que não sou um mariquinhas, gosto de pensar que não me consigo emocionar com coisas simples, como episódios de uma série de tv, um final de um livre, ou cada gesto de bondade que vejo em qualquer sítio, feito por qualquer pessoas, um gesto de verdadeiro altruísmo.
Mas é quase meia noite e dou por mim a secar as lágrimas depois de ter acabado de ver agora mesmo uma série, o último episódio. É quase deprimente, admito-o, mas é impossível para mim ver um filme, ou ler um livro, ou ouvir uma música, e não me identificar com nada, na verdade, na grande maioria das vezes dou por mim a concordar com a cabeça, como se já estivesse estado la, como se aquilo fosse um dejá-vu com algumas das coisas que se dizem, que se fazem, ou se cantam. 
Uma série, hollywoodesca, não banal, mas fez-me pensar na minha vida, e no modo como me guiei nos últimos anos, na minha vida pessoal e nas minhas relações pessoais. E fez-me ver, que mesmo para quem foi para as direcções erradas muitas vezes, há sempre um futuro. Não importa quanto tempo andamos submersos em problemas e em más atitudes, não importa quão duras ou injustas foram as nossas palavras, quão cobardes foram os nossos gestos, ou quão triste e desesperantes foram as nossas saídas de costas para as pessoas que nos amaram, ou amam.
(Sei que soa a filme barato e sei que soa a Nicholas Sparks.) 
Não importa desde que todo o mal que criamos e todo o pânico que causamos esteja na iminência de ser assumido, e com essa vontade de assumir o que fizemos, se crie uma vontade de melhorar, não para agradar a outros, mas para nos agradarmos a nós mesmos. A nossa vida não é uma linha sem mudanças, a nossa vida pode ser aquilo que nós bem quisermos. 
Mas temos de acreditar no amor, no amor pelas coisas mais simples da vida, no amor aos sorrisos, no amor aos gestos altruístas, amor a todas as pessoas que nos querem bem, amor àquilo que fazemos, amor ao amor que criamos, amor ao amor que vamos receber em troca, amor aos olhares com brilho que criamos, amor aos abraços que recebemos, precisamos de amor, em tudo o que nos envolva. No fim, precisamos do amor daquela pessoa, aquela que já passou por nós, por quem sorriríamos todos os dias para o resto da vida, para aquela a quem podíamos dedicar todos os minutos do nosso tempo, aquela pessoa com quem te imaginaste a fazer uma família, aquela pessoa que ao entrar em casa te dá um beijo e um abraço e te pergunta como foi o teu dia. 
Precisamos daquela pessoa que quando viste pela primeira vez e a abraçaste pela primeira vez, sentiste que o tempo parou numa escala nova de tempo, sentiste que o microcosmos se expandiu, sentiste os planetas todos se alinharam, sentiste que não existia nada à volta, só um vazio, e onde tudo o que existia era só preenchido com um amor entre tu e ela.

Cego #2


Uma das coisas que me irrita no amor, ou melhor, nas relações entre duas pessoas com uma finalidade romântica, é quando estamos apaixonados, mas estamos cegos.
Passo a explicar, quando nos apaixonamos, apaixonamo-nos não só pela pessoa no seu geral, mas também pela ideia que temos dela, ou seja, demoramos mais tempo a ver defeitos nas pessoas que amamos. É possível que toda a gente os veja, é possível que nos digam repetidamente os defeitos dessa pessoa (ou algum defeito em particular), é possível que se passe uma vida inteira sem não nos apercebermos que a pessoa que amamos tem na realidade muitos defeitos e ainda por cima alguns bastante graves.
Aconteceu-me o mesmo há pouco tempo, gostei de alguém, gostei mesmo, de estar apaixonado, e completamente cego de amor por essa pessoa. Pessoa essa que me magoou mais do que alguém em toda a minha vida me conseguiu magoar, fez-me algo que eu só consigo descrever em dois adjectivos e nenhum deles muito bonitos: "cobardia"ou "criancice". Não deixa de ser muito irónico que geralmente as pessoas de quem mais gostamos, são aquelas que nos magoam mais. Quanto maior é o amor, ou o sentimento, maior é a desilusão.
Atenção, não sou nenhum expert em relações, e no amor, nem me posso considerar uma pessoa perfeita nesse aspecto, muito longe disso até, já cometi os meus erros, muitos erros, erros gravíssimos e infantis também, pelos quais me desculpei mais tarde, e que podem ter tido ou não perdão. Cometi-os, e hoje tento todos os dias melhorar-me e tentar não voltar a repetir as asneiras que fiz.
Voltando à "vaca fria", hoje posso dizer que esqueci essa pessoa, e que apesar de estar sozinho, acho que era impossível sentir-me melhor comigo mesmo neste tempo que passou. E agora finalmente vejo os defeitos dessa pessoa e percebi que me apaixonei não por ela, mas "pela ideia dela", o que eu via nela e não o que ela era realmente. Percebi que se estivesse lúcido, não me teria precipitado para uma relação com essa pessoa. Fui e ainda sou, ignorado, desprezado, e ainda tentam brincar com o meu triângulo vermelho com curvas, o meu coração, mas percebi que por muito mau que eu seja, e por muitos defeitos que eu tenha, vão haver sempre pessoas que nos conseguirão fazer pior do que aquilo que fizemos a alguém.

Desilusões.


Não nascemos com a capacidade de nos afastar-mos das pessoas e coisas que gostamos, e por quem nutrimos sentimentos, simplesmente não nascemos.
Nutrimos sentimentos por alguém, e a partir do momento em que nos apercebemos realmente disso essa pessoa passa a ser um Deus, um ser perfeito a quem nunca acharemos defeitos, por muito que nos esforcemos para isso. Ou então não, acontece o contrário, caímos na realidade passados uns meses e vemos que se calhar tudo não passou de uma farsa, como se num mesmo tabuleiro essa pessoa joga um jogo de xadrez e a pessoa apaixonada joga damas. Estão ambas no mesmo tabuleiro, mas por diferentes razões, umas mais cínicas e mais a pensar friamente e objectivamente em alguma coisa que eu certamente não faço a mínima ideia do que seja. As outras jogam damas, simplesmente porque é divertido e mais simples, como amar alguém deveria ser, simples. Pessoalmente, jogo damas, não percebo nada de xadrez, há demasiadas variáveis e demasiadas possibilidades para se perder algo.
Não devia haver rodeios quando se conhece alguém, devíamos ter algo como um profile instantâneo, ou um cvs com todos os nossos defeitos e com todas as reais qualidades que possuímos.
No amor, e no conhecimento interpessoal não devia haver desilusões, ou enganos, ou hipocrisias, o que ganhamos com estes pedaços de manto roto? O que ganhamos em mentir a alguém? O que podemos ser se criamos expectativas irreais nas pessoas, e se o único caminho para a felicidade com essa pessoa vai dar a um precipício? 
Mas: 
"Se formos calados e estarmos prontos o suficiente, conseguiremos encontrar compensações em cada desilusão."
- Henry David Thoreau

Ser criança.


Sinto falta de ser criança, de aprender a fazer as coisas pela 1ª vez, fazer as coisas mal e ser repreendido por isso, fazer as coisas simplesmente porque me dá gosto fazê-las e outras vezes fazer essas coisas apenas porque me obrigam.
Sinto falta de um amor quente de verão, um sentimento de amor, amor verdadeiro e humano, assegurado por alguém que goste de mim, estar aconchegado num sítio quentinho, e pacífico. De estar horas a falar de sentimentos, do que queremos e do que sentimos, e do que podemos ser.
Sinto falta de estar uma tarde inteira no meio de um campo que é mistura de erva e lama a jogar á bola sobre um calor abrasador, até ser de noite, com um banho em tanques típicos das terras de campo, e no fim ouvir da minha mãe, por estar ver, por ter tomado um banho, por não dizer nada.
Sinto falta de sentimentos verdadeiros, de bajular, brindar alguém com palavras doces e murmúrios trementes, com sussurros desbravados e encantados pela belez da paixão, de estar sempre com frio no umbigo, à espera que alguém se sente ao nosso lado e nos faço sorrir, de ficar noutro planeta, só de ser o alvo da atenção de alguém.
Sinto a falta de ar puro, calor veraneante e estar sentado debaixo duma castanheira com frutos prontos a eclodir, a meditar, a pensar, a planear, a decidir a minha vida ao mesmo tempo que ouço música, e de preferência a pensar que a vida dificilmente poderá ser melhor do que nesse momento.
Sinto falta de ir para a cidade que troca os “vês” pelos “bês” e ficar horas a passear, a lanchar, a tomar chás, a brincar sem que mais nada me importe, como se o tempo tivesse congelado, e só houvesse espaço. O Porto é aquele sítio fantástico/misterioso/místico, que enche a minha mente de alegorias ao passado e me faz criar novas ideias, ou que pelo menos, me dá inspiração e coragem para pensar em novas coisas. O passado está lá, preenchido com horas maravilhosas a amar, outras a pensar, a ouvir. O Porto tem miradouros que me enchem as medias literalmente, as vistas são sempre maravilhosas que me deixo levar pelas histórias da cidade Invicta, e me torno numa sombra que habita os melhores lugares da cidade.
Sinto falta de sessões de cinema, entreabertas com mãos dadas, beijos melosos, e sorrisos perfeitos. Sinto falta da cor da vida, dos olhares matadores, e da felicidade num pau de gelado. Sinto falta da areia, da água gelada do mar, e do desporto na praia. Falta dos concertos ao ar livre, e dos óculos de sol para desbravar terreno. Sinto falta do meu Verão, e ele está quase a chegar.

quinta-feira, junho 14, 2012

Carta


"Não te vejo há quase dois anos, ver-te no sentido de estar contigo, claro. Desde que acabamos, ou que acabaste comigo, por razões que eu e tu sabemos. Mas a principal razão era eu não te estar a fazer feliz, e que continuava a magoar-te, dia após dia após dia. Na altura não quis ver, achava que não tinhas razão, achava que não podias acabar comigo, porque sempre te quis só para mim. Fui egoísta, quis sempre a minha felicidade, ou a minha alegria, e nunca pensei na tua, e no quanto estavas triste nos últimos meses comigo. Mas vi quão mal estavas na altura, só que apenas uns meses depois, quando conheceste alguém, alguém que te soube tratar como tu sempre mereceste, e alguém que gostava de ti a sério, alguém de quem gostavas a sério, e vivias um amor equilibrado e seguro.

Desse tempo até hoje tentei esquecer-te, tentei mesmo. Nos primeiros meses apesar da fachada sorridente e das ações que indicavam o contrário, sentia-me sozinho, sentia-me perdido, faltava-me literalmente o Norte, a pessoa que me marcou desde o primeiro beijo e desde o primeiro olhar. Tentei substituir-te, todas as vezes que conhecia uma rapariga, todas as vezes que falava com uma rapariga, tentava encontrar algo de ti, algo que me lembrasse de ti, uma característica ou um traço da personalidade, mas nada. Não quer dizer que não me tenha envolvido e iniciado relações com mais ninguém, porque o fiz, mas foi tudo uma felicidade passageira, é uma certeza. E isso é o mais triste de tudo, comparar qualquer pessoa contigo, não dá, simplesmente, é injusto para com todas as pessoas, deviam ser avaliadas como seres individuais, não comparadas contigo, uma entidade humana, que sobrevoa o meu pensamento. Marcaste a meu coração a ferro quente, com uma intensidade e uma força que por muito que queira não consigo explicar, o teu lugar na caixa de veludo vermelha é intocável.

Nestes dois anos, recebo cada mensagem tua, como um sinal de que ainda sabes quem sou, e de que não me esqueceste. Pela positiva ou pela negativa é que já não sei. Mas sempre que troco uma mensagem contigo ou de cada vez que vejo uma foto tua, desato a planar, a vaguear pelo interior do meu cérebro, sorrio e fico nervoso, não te quero desiludir mais, fico ansioso pela próxima mensagem e quero sempre mais, como um desejo infindável de não perder seja o que for que eu tenha contigo neste momento. 

Não alimento esperanças de que sejas minha outra vez, não porque não o queira, mas porque não me posso dar ao luxo nem ao desejo de pensar como seria. Só quero que hoje e todos os dias, que sejas interminavelmente feliz, seja com quem for que tu escolhas para estar a teu lado. Fui infantil e fraco contigo, mas gosto de pensar que sou melhor agora. Enquanto tu foste a melhor pessoa da minha vida, inesquecível e marcante.
Não sei explicar o que sinto, sei que quando estás perto, estás verdadeiramente perto. E que quando estás longe, estás verdadeiramente longe."

                                                                                               

sexta-feira, maio 18, 2012

Desejo de ser mais.

Há questões que nunca serão ditas com o tempo. Há questões que nos fazem pensar qual o sentido da vida, para onde vamos, o que somos, e o que fizemos. Pensamos se a vida não é mais do que um meio da nossa auto-realização espiritual, a vida plena não será mais do que um complemtento qo nosso ser, e não a parte mais importante daquilo que somos.
A nossa vida não se preenche por coleccionar carros, por ter uma casa ou cinco casa de férias, a nossa vida não é aquilo que ganhamos financeiramente, nem é a fama de papel e facilmente reciclável que nos torna um ser único e inesquecível. A nossa vida é muito mais do que isso, a nossa vida é a nossa personalidade conjugado com o facto de chegarmos ou não ao coração das pessoas, é sentir que a nossa vida teve um propósito, e saber que as pessoas que ficaram marcadas no nosso coração, tenham ficado conosco marcadas no seu coração. Não pretendo ser famoso, não quero ser exuberantemente rico, não quero passar a minha vida a ganhar prémios para me sentir superior aos outros.
Tudo o que desejo na minha vida é ser algo no coração das pessoas, não ser mais um apenas, mas ser uma pessoa que as marca, não por um sentido negativo, mas porque fiz a diferença, porque fui simpático, fui querido, e ajudei as pessoas em certos momentos.
Aos meus amigos, às pessoas novas da minha vida, e até aos simples conhecidos, quero que saibam que a minha vida não seria nada sem eles, e por isso serei sempre um amigo, um ombro e um companheiro anti-solidão para a vida deles.
Só quero que as pessoas ao meu redor se sintam felizes, nem que isso seja em prejuízo de mim mesmo. Quero chegar a casa, despir-me, deitar-me e apagar a luz e reflectir sobre como foi a minha vida, e aí sim, se vêm os verdadeiros homens, no escuro da noite vê-se realmente quem fez da vida mais do que uma passagem intermédia. Vê-se quem fez da vida um caminho único e iluminado para a auto-realização e felicidade pessoal.